bem vindo ao espaço sideral! aqui não existe tempo. aqui não existe espaço. encontramo-nos no vazio

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Suede / The Next Life

(Enquanto a Luna dorme)

há um perfume sereno
que se sugere no teu sorriso
e dura...

com a imensa ternura de
um gesto longo
[teu]
fica a doce ilusão de que
venço o tempo
e te perpetuo como um
deus secreto
que agora mesmo eu inventei


  jorge saraiva
quando o teu silêncio cai
com o peso de um rosto longo
cheio de mágoa,
eu sinto o lento embaraço
de uma indizivel tristeza...

e agora ensina-me:
como é que posso reencontrar
o caminho da tua boca?

Jorge Saraiva
falo-te do amor com a serenidade
dos dias felizes

é um trabalho (quase) sem palavras.
um olhar cúmplice,
um rosto atento aos pequenos sinais
com que gradualmente me envolves.

agora interrompo o silêncio e penso
com êxtase contido:

é tua a leveza dos passos
que ilumina os meus caminhos;
é tua a certeza dos lábios
que enche o meu peito de risos;
e a fluidez do corpo que sugere
desejos de manhãs jovens;
e uma alegria longa e branca
como se tudo nos coubesse
nas mãos:
o frémito dos gestos,
a pressão dos beijos,
a limpidez do silêncio,
a convicção tranquila
de que todo o nosso tempo
é eterno.


jorge saraiva
se eu pudesse,
tirava os panos que te cobrem a boca,
e deixava que corressem uma a uma,
todas as palavras de amor que te
imagino nos olhos.

mas não posso...
e por isso resigno-me
a um sofrimento pendular
quanto profundo

jorge saraiva
Das horas tenho apenas estas:
as que passam depressa mas não se evaporam

Todas as outras existem ao compasso dos segundos
e morrem


helena isabel
Subi os degraus até à tua casa
com o silêncio a lembrar-me palavras

(neste caso, as palavras são um vinho macio
que fervilha nas veias;

 o meu sangue, o sabor de
memórias doces e perfumadas)

Agora, não há lugar para a escuridão,
todos os sóis iluminam as escadarias

e a noite onde depositava a minha solidão
sugere-me tonalidades e fragrâncias que nunca me visitaram

a natureza é sublime quando olho para o nosso jardim
e vejo os malmequeres a crescerem e a sorrirem

Os malmequeres já não se desfazem nas minhas mãos;
já nada é como antes.


 helena isabel