bem vindo ao espaço sideral! aqui não existe tempo. aqui não existe espaço. encontramo-nos no vazio

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Separa-nos uma folha fina de papel
numa das faces, tu sorris, desafias-me
a desafiar-te: a perdermo-nos nos campos
verdes, a corrermos para o sonho, a
lançarmo-nos para dentro dele e 
a deixarmos partir tudo o que ainda não é
feliz

As estrelas crescem para os nossos olhos
o que resta do céu é uma tela de espirais
resplandecentes, de todas as cores que
inventámos


helena isabel

domingo, 23 de outubro de 2011

Levo os lábios ao amor em ferida 
e a saliva sara o tempo em que
quase morremos um para o outro


helena isabel

terça-feira, 28 de dezembro de 2010


Por vezes sentimo-nos tão mais pequenos 
que somos esmagados por formigas,
construímos edifícios desproporcionados 
à nossa dimensão e vivemos neles
como num espaço indefinido,
solitários entre a sala e o quarto, a mobília 
e objectos infinitos.

Por vezes somos tão minúsculos, 
que nos esquecemos que somos mais que isso


helena isabel

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Inocentes desvios

Sabe a orvalho acordar nos teus braços
com o corpo inteiro confundido em ti

O teu corpo diz-me: Amo-te desde sempre
e para todo o sempre

Eu penso nos inocentes desvios
e na leveza das manhãs claras

Por isso, começo a escrever o Domingo
com um beijo silencioso nas tuas mãos

Que têm dedos quase do tamanho
dos meus


helena isabel
Enquanto for a tua sombra a caminhar a meu lado,
eu serei sombra e todos os meus passos 
deixarão sementes na terra

A seu tempo, crescerão rosas brancas no caminho 
e nascentes de água fresca e clara (dos 
teus pés, raízes profundas e silenciosas)

Chegará a manhã em que sairás da sombra
e verás rosas onde há pouco era deserto e frio

Eu depositarei um beijo sereno nos teus lábios
e viajarei até ao sol, levando o teu sorriso feliz
pelo regresso ao amor


helena isabel

Velvet Underground - I'll Be Your Mirror

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Chamo pelo teu nome
para lá do teu nome
Um dia disseste que 
gostavas de tirar os panos
da minha boca
Um dia disseste
que eu era o mundo
que querias habitar
e que atravessavas
todos os sinais vermelhos
para vires ao meu encontro
Não precisas vir
fica onde tu quiseres 
dentro da casa
Eu atravesso as paredes
e fico apenas a contemplar


helena isabel